segunda-feira, 6 de novembro de 2006

A nau de um deles tinha-se perdido

No mar indefinido.

O segundo pediu licença ao Rei

De, na fé e na lei

Da descoberta, ir em procura

Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.

Tempo foi.

Nem primeiro nem segundo

Volveu do fim profundo

Do mar ignoto à pátria por quem dera

O enigma que fizera.

Então o terceiro a El-Rei rogou

Licença de os ir buscar, e El-Rei negou.

*

Como a um cativo, o ouvem a passar Os servos do solar.

E, quando o vêem, vêem a figura

Da febre e da amargura, Com fixos olhos rasos de ânsia Fitando a proibida azul distância.

*

Senhor, os dois irmãos do nosso Nome

- o Poder e o Renome -

Ambos se foram pelo mar da idade

À tua eternidade;

E com eles de nós se foi

O que faz a alma poder ser de herói.

Queremos ir buscá-los, desta vil

Nossa prisão servil:

É a busca de quem somos, na distância

De nós; e, em febre de ânsia,

A Deus as mãos alçamos.

Mas Deus não dá licença que partamos.

Porque eu concordo com Fernando Pessoa e acredito que há sempre mais alguma coisa na nossa vida que nos faz continuar... porque os nossos objectivos podem ser alcançados... basta ACREDITAR!

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