A nau de um deles tinha-se perdido
No mar indefinido.
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei
Da descoberta, ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.
Tempo foi.
Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo
Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera.
Então o terceiro a El-Rei rogou
Licença de os ir buscar, e El-Rei negou.
*
Como a um cativo, o ouvem a passar Os servos do solar.
E, quando o vêem, vêem a figura
Da febre e da amargura, Com fixos olhos rasos de ânsia Fitando a proibida azul distância.
*
Senhor, os dois irmãos do nosso Nome
- o Poder e o Renome -
Ambos se foram pelo mar da idade
À tua eternidade;
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de herói.
Queremos ir buscá-los, desta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia,
A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos.
Porque eu concordo com Fernando Pessoa e acredito que há sempre mais alguma coisa na nossa vida que nos faz continuar... porque os nossos objectivos podem ser alcançados... basta ACREDITAR!


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